24 Maio 2009

Jotonio Vianna

24 de maio de 2009 – Domingo
Onde o vento faz a curva
O vento fez a curva e trouxe de volta a Caxias os mesmos velhos personagens políticos de sempre. O vento trouxe e parou, sem uivar... Renascidos das cinzas os Marinho, graças ao tapetão judicial que recolocou os Sarney no poder estadual, na eleição proporcional de 2010 na região leste assistiremos à reprise do embate de décadas: a recorrente luta entre Paulo e Márcia Marinho e Humberto e Cleide Coutinho... Nada novo.
Os demais personagens políticos locais apenas integram o elenco dos atores coadjuvantes que dão dinâmica à encenação do nosso teatro partidário. Por isso o temor de que a peça não consiga repetir o sucesso do cartaz de tempos atrás no ano que vem. O enfado quanto à reprise do discurso e dos palanques é perceptível nas conversas evoluídas dos esclarecidos e na prosa dos eleitores involuídos. Até os últimos se mostram ressentidos de uma novidade. O movimento regressivo provoca desânimo nos cidadãos pensantes e nos comuns que levam a rotina como um desígnio divino. Falta o sentimento do imprevisível para agitar o sangue e criar a expectativa de final de jogo. Ambos os grupos hoje detêm praticamente o mesmo tempo de mando na Princesa do Sertão. Os Marinho antes e agora os Coutinho no apogeu. Ao findar 2012, os jovens que viram nascer o poderio dos Marinho e assistiram à sua derrocada e consequente ascensão dos Coutinho estarão velhos e diminuídos na energia e na esperança. E o poder sem oxigenação tende a tocar o barco num lago sem onda e de paisagem imutável. A rotina, o caminho já trilhado e sabido não causa excitação no povo, não o impele à discussão... O vendaval político, por outro lado, rompe as veias e faz o sangue ferver. Causa paixão. Explode coração. Desafia o estabelecido.
É do fogo, do sangue quente da disputa que a Princesa anseia. Do pedaço inolvidável do embate para 2012. Daquele momento que não se esquece e depois se pode contar aos amigos, filhos e netos quanto furor ou quanta adrenalina provocou a guerra pelo Palácio da Cidade... Um tipo de ação que se viu quando os Marinho chegaram e venceram e de quando perderam definitivamente o potentado em 2004.
Paixão
A falta de quadros novos na política resulta no que Caxias se transformou. Uma cidade sem manifestação social, sem sindicatos pulsantes, sem gente com paixão...
Atração
...Em termos de teatro político, estamos resumidos quase que exclusivamente à ação da Câmara Municipal, que, embora monótona na essência, tem atraído platéia...
Esperança
...Parece contraditório, mas a frequência de gente na Casa legislativa, atrás de diversão, também é resultado da ausência de movimentos sociais fortes... No vácuo de líderes carismáticos, pessoas vão atrás do conjunto morno da representatividade popular local na esperança de que lá se discuta a cidade...
Pauta
...Antes, a Câmara da Princesa do Sertão era o resultado da voz das ruas. Os vereadores ecoavam o ronco que partia da efervescência popular. Direitos Humanos, sindicatos, associações conseguiam pautar a discussão na Casa do Povo...
Cardápio
...Hoje não. Hoje a pauta é entregue pela vereança, que no mais das vezes ou segue o questionamento nascido antes na imprensa ou põe à mesa um cardápio forjado nas próprias articulações internas, geralmente chinfrim, o qual desprovido de vínculo com as verdadeiras demandas da sociedade caxiense...
Não ouve
...E assim também o governo. A administração Coutinho não ouve a sociedade e faz o que lhe dá na telha. Quando acerta quer palmas, mas quando erra é birrento e leniente com o erro, mantendo-o porque esta mesma sociedade não cobra correção... Assim, as coisas ficam por isso mesmo e vão se acumulando indefinidamente...
Modus
...A leniência do governo com o que está errado e o respectivo entorpecimento social está retratado no último Relatório de Avaliação e Fiscalização do Conselho Municipal de Saúde... O propósito dos conselheiros é modesto, mas perfeitamente indicador do modus operandi da administração municipal...
Crônico
...O tema é recorrente, remete ao péssimo e crônico atendimento nos postos de saúde por causa de médicos, enfermeiros e dentistas gazeteiros, que ganham o dinheiro do povo sem atender a este mesmo povo nas suas necessidades de saúde mais imediatas... Afora equipamentos quebrados e falta de instrumentos médicos usados na prestação de saúde básica...
Caneta
...O próprio Humberto Coutinho revelou no dia 3 passado, no povoado Brejinho, ser sabedor do caso de odontólogos que quebram propositalmente a chamada ‘caneta odontológica’ para poder justificar a falta ao serviço nos postos de atendimento bucal do município... Publicado o fato na coluna do dia 7 passado, HC confirmou a informação aos conselheiros municipais posteriormente...
Gazeteiros
...Mas mesmo assim a coisa ficou por isso mesmo. No caso das faltas constantes de médicos e enfermeiros nos postos, como reforça o relatório do Conselho Municipal, a leniência é idêntica...
Coragem
...Inúteis reclamações também pipocam em relação à Educação, à coleta de lixo, ao trânsito, à ocupação dos espaços públicos, à devastação ambiental... Coisas que dependem única e exclusivamente apenas de gestão e de coragem de fazer a coisa certa.
------------------------------------GONZO----------------------------------
Suspensão - Não bastassem os problemas de gestão em postos e hospitais, agora a suspensão pelo governo federal dos recursos destinados aos programas Saúde da Família e Saúde Bucal em Caxias... Deus nos acuda. Só o povo vai pagar o pato!!!
Festa - No final da semana assumiram seus postos nas diretorias estaduais em Caxias todos os sarnomarinhianos... A festa só não foi maior por causa do TCU, que condenou a ex-prefeita e deputada Márcia Marinho a devolver aos cofres do Tesouro Nacional R$ 183.673,00, acrescidos dos juros e mora, no prazo de 15 dias... Tudo por causa de gambiarras no ano de 2001 na construção de cinco barragens na zona rural do município!!!

0 comentários: